Laser a medicina da luz


O mundo do jeito como o conhecemos hoje, seria impossível sem o uso do laser. Esse feixe de luz concentrada é imprescindível na transmissão de dados pela internet e no sistema de telefonia. Quando ouvimos um CD ou assistimos a um DVD, lá está ele, transformando ondas eletromagnéticas em sons e imagens.

Graças ao laser as filas de bancos e de supermercados andam mais rapidamente – os códigos de barra são interpretados por ele. É essa luz, ainda, que da exatidão aos mísseis lançados pelos navios, aviões e tanques de guerra; mantém os trens alinhados nos trilhos; permite a medição dos poluentes atmosféricos... “Com suas múltiplas funções, o laser é, sem dúvida, a invenção mais impactante do mundo moderno”, diz o físico Nilson Dias Viera Junior, superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares o (IPEN). Há uma área do conhecimento humano, no entanto, em que a revolução provocada pelo laser, ainda que grandiosa, ocorre de maneira silenciosa, quase que imperceptível para a maioria das pessoas.
Na medicina ele corta (Com muita precisão e pouco sangramento) músculos, pele e ossos. Monitora o crescimento de tumores e os faz evaporar. Substitui medicamentos em casos de doenças crônicas como atrite reumatóide e asma. Estimula renovação celular e pode diagnosticar lesões na retina. Dentro da medicina há ainda, outra área em que o laser é o balsamo, sobretudo agora no verão. Na dermatologia, além de remover as mancha da pele e as linhas de expressão, a luz corta literalmente o mal pela raiz, ao danificar os bulbos capilares e impedir o crescimento de pêlos indesejáveis. Na temporada de corpos amostra, não ter de se preocupar com depilação e exibir as pernas lisinhas o tempo todo é (quase) um milagre.

O primeiro aparelho de laser foi criado em 1960 pelo físico americano Theodore Maiman (1927 – 2007). Seu objetivo era desenvolver uma fonte de energia para ser usada em experiências de laboratório. O laser é a única fonte de luz que se propaga de forma organizada, em uma mesma direção, por meio de ondas de comprimento idêntico. Tais características o tornam um grande emissor de grandes quantidades de energia e de fácil manipulação. Em 1961 por obra da curiosidade de um oftalmologista pelas novas tecnologias, o laser foi usado fora de um laboratório de pesquisa. Charles Campbell (1926 – 2007) do Instituto de Oftalmologia do Centro Médico da Columbia utilizou-o para eliminar um tumor maligno da retina de um paciente. Desde os anos 50 os médicos utilizavam a luz solar para queimar as lesões na retina. Com uma lente eles convergiam a luz diretamente para o olho doente. Ainda que o laser seja 1 septilhão de vezes mais forte, ele provoca menos efeitos colaterais como queimaduras. Isso porque ao contrário da luz solar é mais controlável e direcionável. As operações de Campbell foram consideradas revolucionárias, e assim, a técnica começou a ser testada nos diversos campos médicos. Mas o grande impacto do laser só viria na década de 90 com a difusão dos aparelhos por pulsos. A emissão passou a ser feita, por exemplo, por meio de microtiros, o que permitiu o uso de potências elevadas em procedimentos delicados ou superficiais. De lá pra cá o laser passou a ser a primeira opção pra nada menos que 50% dos procedimentos médicos, o dobro em relação a vinte anos.

Nenhuma área da medicina foi tão beneficiada como a dermatologia. Ele é a principal indicação para 95% dos procedimentos antienvelhecimento. Da remoção de manchas ao aumento da produção do colágeno, a fibra responsável pela firmeza e elasticidade da pele. Na década de 80 o laser era utilizado em apenas 40% dos casos, sobretudo nas peles profundamente marcadas pelo tempo.
“Nessa fase, eu não me atreveria a utilizar o laser em pacientes com menos de 40 anos”, diz Adilson Costa, dermatologista de Pontifícia Universidade Católica de Campinas. “As marcas do tratamento, vermelhidão e queimaduras eram tão profundas que obrigavam o paciente a ficar em casa por até um mês”. Atualmente, alguém se submete a uma sessão de laser, não importa a finalidade do procedimento, pode sair direto do consultório direto para o trabalho.
Todas as intervenções estéticas a base de laser consistem em danificar parte das células e estimular a renovação celular. É nesse processo que manchas, linhas e pés de galinha desaparecem – ou são no mínimo, bastante atenuados. É possível rejuvenescer a pele em até cinco anos, mas para isso é necessária uma aplicação por mês durante quatro meses.

Além disso, é necessário voltar ao consultório do dermatologista em dois anos. Existe, porém um tipo de marca que o laser apaga para sempre, as cicatrizes provocadas pela acne. Até então não havia nada que desse jeito nelas.
Não há mulher que não sonhe se ver livre da depilação. O laser consegue matar o bulbo capilar, o nascedouro dos pêlos. Depois de cinco meses de tratamento, com uma sessão por mês os pelos praticamente desaparecem. Como a natureza sempre da um jeito de driblar o homem em dois a cinco anos os pelos reaparecem. Para eliminá-los é preciso fazer mais sessões de laser. Não existe tratamento de beleza mais prático e fantástico criado pela medicina que a depilação a laser.
Hoje graças a exatidão dos cortes a laser 95% dos pacientes deixam de usar óculos depois de uma cirurgia de miopia. Para se ter idéia da tecnologia dos aparelhos empregados nesse tipo de cirurgia, os feixes de luz que eles emitem tem duração de 10 femtossegungos. Um femtossegundo equivale a 1 segundo dividido em 1 quadrilhão de vezes. O alcance do laser no corpo humano vai da superfície da pele como em tratamentos estéticos, a órgão e estruturas mais recônditos como os rins, coração, ossos, próstata, colo do útero e pulmões.

Uma das novidades mais promissoras é o laser conhecido como frio ou terapêutico, que tem 1 grau Celsius de temperatura. Ele reage com as células fazendo com que a produção de substancias essenciais para saúde do organismo seja regulada. O laser a frio é capaz de equilibrar a produção de hormônios envolvidos nos mecanismos de analgesia e de inflamações por asma.
Uma das mais extraordinárias frentes de estudo ocorre na área de diagnósticos. Hoje em dia já é possível detectar algumas doenças por meio do feixe de luz, como no caso de distúrbios na retina e tumores superficiais, em especial o de pele.

Para as próximas gerações essa será a luz no fim do túnel.



Por Revista Veja - Postado em: 8/2/2011
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